Já à 7 meses (ou quase, está mesmo quase a fazer mais um mês) que eu sai do meu antigo trabalho. E hoje vou falar um pouco deste trabalho em que existe tanta gente a fazê-lo mas é um trabalho muito pouco valorizado e a maior parte das pessoas não entendem aquela função, à qual eu fiquei habituada e confesso que trago saudades de onde sai. Começando do inicio: em 2010, eu tinha acabado a escola e como eu precisava de trabalho, pois, também quis saber como seria ter um outro tipo de responsabilidade, visto que eu na escola era um pouco molenga, não ligava muito a certos horários e esta experiência fez-me crescer imenso. Então decidi inscrever-me num supermercado perto da minha casa que até posso dizer qual é, sem qualquer problema, o Continente. Fui lá, inscrevi-me, dai a uma semana chamaram-me para uma entrevista e 2 a 3 dias depois estavam-me a ligar para ir assinar contracto. Confesso que este trabalho sempre me atraiu um pouco, não sei, sempre que ia ás compras com a minha mãe ou com o meu pai, imaginava-me do outro lado, a fazer trocos e a passar artigos, por isso, estava um pouco curiosa com tudo aquilo e de como era estar do outro lado, porque confesso, que eu era daquele tipo de cliente, que se farta de esperar, pouco paciente e após ter experimentado o outro lado mudei radicalmente de opinião, pois apercebi-me das responsabilidade que é estar do outro lado. Então, ao longo daqueles meses, fui aprendendo, de inicio eu sempre meio nervosa, com receio do que as pessoas fossem dizer (sim, porque eu sempre fui um pouco timida, quieta, no meu canto, depois é que me fui soltando mais, mas ainda tenho um pouco este jeito meu de ser) e atendimento ao público é sempre bastante complicado, sei que não é só em supermercados, mas ali aprendi mesmo o que era estar daquele lado. O que eu não gostava era mesmo de quando, por vezes, certos clientes, iam a outra secção, como por exemplo a peixaria, ou padaria, e se chateavam no outro lado, mas ao pagar é que descarregavam tudo em cima de nós, e quando existiam filas, nas caixas, o pessoal começava todo: 'ah, não se despacham, são umas moles, nós é que pagamos o ordenado a esta gente que é para não trabalharem', prontos, por vezes tinhamos de ouvir certos comentários desagradáveis, mas aqui, nós temos de deixar de lado e continuar na nossa, com nosso atendimento, o nosso sorriso. Acho que ainda existe muito aquela ideia de que as pessoas que estão nas caixas, são pessoas meio 'burrinhas', que não querem estudar, que ali não se faz nada, como eu ouvi uma vez: 'passar coisas, também eu passo', que somos umas máquinas, enfim, não é nada disso. Na caixa temos que ter muita atenção, temos que ter cordialidade, humildade, simpatia, um sorriso, boas maneiras e boa educação. Temos muitas responsabilidades, porque trabalhar com dinheiro não é fácil, e também estar sempre atenta ao nosso redor. Mas apesar de tudo isto, confesso que deixou muitas, mas muitas saudades estar a trabalhar como operadora de caixa. Gostava daquelas manhãs em que ia trabalhar e vinham sempre aqueles senhores já de idade e começavam a falar connosco sobre a vida, pois, ali sempre há alguém disposto a ouvi-los, nem que seja por uns minutos. Muitas saudades mesmo e espero que um dia ainda volte a fazer o mesmo, pois é algo bastante bom e enriquecedor, pelo menos para mim foi em diversos aspectos e por isso agradeço em muito aquele meu ano no grupo Sonae. E para quem gosta de histórias, de caixa, de relatos, de vida, de como é estar do outro lado, aconselho vivamente que sigam/leiam este blog:
http://a-lupa-de-alguem.blogs.sapo.pt/
De certeza que vão gostar imenso de ler as aventuras que é estar na caixa de um supermercado!
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